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 ENTREVISTA: ADHEMAS BATISTA

 

O artista Adhemas Batista é um dos grandes nomes do design, principalmente quando o assunto são cores. O brasileiro, que desde 2006 mora nos EUA, se firmou no mercado da web e participou de grandes projetos, sempre dando um toque alegre e irreverente nos seus trabalhos. Também atuando como ilustrador, é dele um dos wallpapers do Windows 7, o que significa que muitas pessoas já tiveram contato com o seu trabalho. Confira nessa entrevista concedida ao Blog da Ondaweb o início de sua carreira, as tendências do web design e seus principais projetos!

 

Como você começou a trabalhar com web design e ilustração, e como foi se firmar nesse mercado?
Comecei a trabalhar com web em 1996 à convite do meu irmão, Adilson Batista.Todo mundo estava começando nesta época na internet. Ele sabia do meu interesse por desenhos/ilustração e me encorajou a trabalhar com computador. Sempre fui muito grato pelo incentivo que ele me proporcionou. Trabalhei em estúdios e agências de web, sempre aprendendo tudo por conta, sem frequentar faculdade, até mesmo porque naquela época não tinha nenhum curso relacionado a interatividade, apesar dos cursos de design tradicional. Procurando e pesquisando, apesar de não falar inglês na época, consegui me desenvolver bem com as ferramentas/softwares.

Ilustração é algo que sempre esteve no meu DNA. Desde muito pequeno gostava de ilustrar no papel, desenhar quadrinhos olhando para revistas do Super-Homen e X-men, gostava também de comprar chicletes “Ploc” que vinham com figurinhas com desenhos e eu tentava copiá-los. Mas com o computador isso foi ficando para trás. Fazia algumas coisas, mas não muito, quando em 2003 eu comecei a utilizar com mais frequência o Adobe Illustrator, e praticamente em todo layout que eu fazia tentava emplacar uma ilustração. Foi então que em 2004 eu participei do projeto de Havaianas, e meus caminhos mudaram. Hoje eu trabalho com todas as mídias, mas sempre buscando um estilo mais ilustrativo, orgânico e colorido.

De onde vem a inspiração para seus trabalhos?
É preciso estar atualizado. Internet é o melhor recurso que temos. Livros e revistas ajudam bastante também, mas é preciso acompanhar os acontecimentos, notícias, cinema, tudo influência o seu trabalho, e a inspiração vêm com uma mente treinada. Você não acorda, olha para as plantas e têm uma idéia. Eu trabalho muito, e a mente fica exercitada. Quando chega um “briefing”, já estou preparado para fazer o trabalho.

 

A sua marca são as cores, e elas são o foco de seus projetos. Por que trabalhá-las? Que diferencial elas trazem?
Eu acredito que acima de tudo que eu faço (Direção de Arte, Design, Ilustração, Tipologia etc..), eu trabalho com cores. Sempre tive facilidade para combinar cores, criar paletas contrastantes e alegres. Desde então, pensando como uma coisa palpável, eu achei mais fácil dizer que “Vendia Cores” ao invés de vender os serviços. Desta forma, não importa o que o cliente precisa, e sim se ele gosta do meu estilo e quer usar no seu produto/marca. Foi então que surgiu, no meu segundo portfolio, o slogan “I’m Selling Colors” (Estou Vendendo Cores). Já tinha intenção de internacionalizar, então resolvi usar em inglês.

É pensando nisso que seus clientes te procuram ou é um conceito que você oferece a eles posteriormente?
Hoje, quando me procuram, já sabem do meu trabalho em 95% dos casos, já conhecem o estilo e tudo fica mais fácil. O slogan é algo que ajuda a fazer o meu marketing pessoal, posicionamento, me promover, mas não necessariamente denomina o trabalho que vou entregar. Eu fiz uma entrevista para o Chile recentemente, e começaram a matéria assim: “El Artista que vende colores”. Com certeza, na maior parte dos casos, os trabalhos são sempre coloridos, é um direcionamento natural.

Em 2006 você se mudou para os Estados Unidos. O que essa mudança trouxe para sua carreira?
Eu tive que dar um passo atrás para hoje dar dois à frente mudando para os Estados Unidos. Pois eu não tinha domínio da língua e tive que reaprender muitas coisas. Inclusive, eu aceitei um cargo no início que era menor do que tinha no Brasil. Foi um choque inicial, mas a mudança trouxe muitos benefícios: a consolidação como artista internacional e a oportunidade de trabalhar em vários projetos diretamente com as agências matrizes. Culturalmente e pessoalmente, evolui bastante e isso acrescenta muito no meu trabalho.

Qual foi o principal fator que estimulou essa mudança de país?

Foi uma época em que eu ainda estava muito envolvido com o mercado interativo, muito mais do que hoje, pois hoje eu trabalho bastante também com impresso, e os olhos do mercado interativo dos Estados Unidos estavam nos talentos brasileiros. Muita gente veio para cá, eu tive seis propostas, então fica muito difícil recusar. Além disso, eu sempre tive muita curiosidade e foi fácil aceitar a mudança.

Quais são os trabalhos que você destaca na sua carreira?
Havaianas sempre vou destacar pela mudança que trouxe na minha vida, de pensamento, estilo de trabalho e tudo mais. Destaco Coca-Cola Remix, que foi uma galeria feita com artistas do mundo todo onde minha peça foi destaque este ano da Computer Arts de Londres como um dos acontecimentos da Década. Outra coisa importante é o papel de parede do Windows 7 da Microsoft, apesar de ser apenas um “papel de parede”, é algo que me deixa muito feliz pelo fato de estar presente em todos os computadores que usam Windows 7. Outro dia estava andando em uma loja qualquer aqui, e estava passando nas telas dos computadores uma apresentação do Windows 7, mostrando minha arte. Me deixa muito feliz ver o resultado do trabalho.

Quais as tendências que você observa no web design de hoje, tanto aí nos EUA quanto no Brasil?
Particularmente, eu não gosto da palavra “web design”, prefiro design interativo, pois engloba muito mais possibilidades. É uma tendência a interação entre os mundos digital com o tradicional, impresso com digital, peças que tem pedaços impressos com uma tela no meio e algo para o consumidor interagir, seja computador, “smart phone” ou até mesmo “iPads” (algo que vêm com bastante força). O design é cada vez mais de interação, tanto digital quanto tradicional. Hoje é necessário sempre pensar como o cliente vai clicar, arrastar, mover e “brincar” com a marca, e o trabalho do designer é fazer com que todas interações sejam as mais agradáveis visualmente.

Você começou cedo nessa área. Que mudanças você percebe nos seus métodos de criação?
Mudanças em todos aspectos: tecnológicas, processos, remuneração, tudo. De quando eu comecei até hoje, há mais opções, mais recursos, mas também é mais segmentado. Eu tive que aprender código pois só contratavam quem fazia os designs e programava, com um grande plus para quem animava em Flash. Hoje é tudo mais dividido, cada um tem sua função, têm cara e corpo de um mercado consolidado que cresce a passos largos. E para os criativos, eu acredito que ficou mais divertido e mais fácil a tarefa, pois só precisa se preocupar com as funções criativas, deixando de lado algumas coisas mais interessantes para apaixonados por matemática e letrinhas pequenas na tela.

O que você diria para aqueles que estão começando no ramo do web design?
Procure aprender de todas a funções um pouco, assim você executa melhor a sua. Quando você entende como funciona o Cliente, Atendimento, Tecnologia/Engenharia, Mídia, tudo fica mais fácil na hora de fazer o seu design e os caminhos se encurtam. Além disso, mais especificamente, fique antenado ao que está na moda, nas tendências, mas tente desenvolver algo único, seu, atemporal, pois será sua identidade acima das ondas.

 

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